Mãe é vocação?
A pessoa inventa de ter três empregos, trabalhar mais de 15 horas por dia e ainda quer ter vida social?! Só pode estar de piada. Mas não é, não. Está fazendo UM MÊS em que emendei uma gripe numa faringite numa sinusite e sei lá mais o quê. Não sei mesmo porque passei esse tempo todo no antibiótico, antinflamatório e descongestionante, mas ainda não estou 100%. Só sei que aquela chuvinha no show do Caetano... Mas enfim... estou num verme absurdo para cair na noite, dançar, tomar cerveja. Passei alguns dias no lugar da minha chefe e digo com convicção: Deus me livre! Taí, nem que eu fosse tremenda mau-caráter, puxaria o tapete dela. Ô dinheiro que não vale a pena. Até porque aí eu trabalharia bem umas 18 horas por dia. Já imaginou? Eu chegando em casa e os filhos correndo com medo de mim, essa louca desconhecida?
Se bem que eu penso mesmo duas... duas mil! vezes antes de ter filhos. Primeiro, se dar conta da minha vida já é muito difícil, imagine de outra. Segundo, eu sou muito egoísta, não sei se seria uma boa mãe. Será que abriria mão da novela pra ver desenho japonês? Não como a parte ossuda do frango pra deixar o peito pra cria? Trocar as noites de sono pelas em claro? Acordar no meio da noite pra dar de mamar, ver a febre, buscar na festa, rezar? Será que de repente eu voltaria à religião? Será? Será? Se eu não sei se me garantiria para um fllho, o que dirá do mundo? Aquecimento global, tensões raciais, terrorismo, fanatismo religioso, violência, tudo isso junto, tão ligado. Adoraria acreditar na era de aquário, mas estou mais para o caos. Então, pegue a preocupação da minha mãe e multiplique pelo exagero da mesma. Não, melhor não...
E ainda tem o pior. Sim, pior que o aquecimento global, pior que a tsunami: a adolescência. Infelizmente aquelas crianças fofas e adoráveis, mesmo quando são uns cãozinhos de danadas, não se tornam adultos bacanas, bem resolvidos (na medida do possível, né) e silenciosos (relativamente). Não, eu não sei se encaro a adolescência. Mais um pouco não aguentava nem a minha! E olha que eu era tímida. E a última coisa que tímidos querem é chamar atenção. Então, as chances de um adolescente ser tímido e chato ao mesmo tempo são bem menores do que ser popular e chato.
Mas eu posso vacilar ou mudar de idéia e de uma coisa eu tenho convicção: se um dia eu for mãe, vou ser mãe mesmo. Daquelas que compensam toda a ausência da semana no domingo, que calça um tênis e corre, que se suja de sorvete. Uma das cenas cotidianas que mais me dão agonia é a família e a babá. Sim, babás são legais. Diria mais, hoje em dia, são necessárias, praticamente indispensáveis. Maaaas a babá também é gente e precisa de folga, descanso, free time. E mãe, meu bem, é mãe. Então não consigo entender porque no fim de semana o Game Station é cheio de babás, os aniversários de crianças da Pizza Hut são cheios de babás, os parquinhos idem. E as mães? Não sei. Sumiram. Quando aparecem estão lá para fazer guti-guti e só. Não podem desmanchar a escova correndo, não podem andar de bicicleta por causa do scarpin e não podem sujar as mãos de catchup no McDonald's. Cocô, nem pensar!
Eu sinto uma pena tão grande dessas crianças. Meus pais se separaram quando eu tinha oito anos, mas sempre tive pai e sempre tive mãe. Eles sempre tiveram um tesão enorme em ser pais, participaram das coisas mais banais, defenderam a gente com unhas e dentes. Minha mãe odiava tatuagem até eu fazer uma. Ai de quem falar mal perto dela. Quando fui estudar moda, morri de rir, pois ela estava super por dentro da confusão Sommer antes de mim. Para o meu pai, sempre erámos os mais bonitos, inteligentes, espertos, os fodões. "Como vou saber quem é seu filho?", "É o rapaz mais alto e mais bonito que entrar aqui no banco!". Vejo isso no meu irmão e na minha cunhada e percebo como isso faz bem às meninas. Às vezes penso que as pessoas têm filhos para mostrar ao mundo como são bem sucedidas. Filhos fazem parte do kit felicidade "sou bonita, tenho marido, bom emprego, filhos, nada me falta". Sinceramente, acho melhor escrever uma frase numa camiseta ou simplesmente voltar aos 13 anos e pôr um smiley na bolsa.
Me emputeço quando vejo uns infelizes dizendo que a solução da violência é controle de natalidade, pegar os pobres e ligar tudo "porque pobre põe filho demais no mundo e depois não tem como criar, não tem como dar as coisas". Se você não tem tesão na paternidade ou na maternidade, um filho já é filho demais e não importanta o quanto você dê de coisas pra ele. Isso também é violência.
* * *
Cê
Ah, Caetano, apesar da chuva valeu muito a pena. Valeu o show, valeu a peruada levando chuva, valeu as velhas escandalizadas, valeu cada música nova e desconhecida e - principalmente - valeu o resgate de duas músicas de gênio, que eu jamais imaginaria ouvir em show.
You Don't Know Me
Caetano Veloso
You don¿t know me
Bet you¿ll never get to know me
You don¿t know me at all
Feel so lonely
The world is spinning round slowly
There¿s nothing you can show me
From behind the wall
Show me from behind the wall
Show me from behind the wall
Show me from behind the wall
Nasci lá na bahia de mucama com feitor
O meu dormia em cama, minha mãe no "pisador"
Laia ladaia sabadana ave maria
Laia ladaia sabadana ave maria
Eu você nos dois, já temos um passado meu amor
Um violão guardado, aquela flor
Show me from behind the wall
Show me from behind the wall
Show me from behind the wall
Laia ladaia sabadana ave maria
Laia ladaia sabadana ave maria
Eu agradeço ao povo brasileiro
Norte, centro, sul inteiro
Onde reinou o baião
























